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Algumas pessoas não entendem o que é “música”

Artigos / Notícias / 28/04/2014

Banda canadense Arcade Fire dá mais uma prova que o mundo fora da Musica Eletrônica está cada vez mais desinformado.

 

Estamos no século XXI. Hoje em dia, há uma campanha generalizada sobre viver em harmonia, respeitar a opinião do próximo, e derivados. Mas quando o assunto é a cultura que envolve a música eletrônica, parece que a quantidade de ignorantes vai aumentando com o passar do tempo.

Nem preciso dizer as afrontas que temos que aguentar periodicamente, como amantes de música eletrônica. A mais recente, logicamente, veio no encerramento do Coachella desse ano. A banda indie/hipster Arcade Fire fez um “showzinho” a parte trazendo a imagem de uma das duplas mais aclamadas da nossa cena, Daft Punk, ao palco somente para ato de deboche. No mínimo achavam que a sua plateia, possivelmente a mesma que havia feito de Calvin Harris o segundo show com mais expectadores na história do festival, iria atirar tomates nos robôs fakes. Engano, a plateia foi ao delírio. Foi apenas uma falha, um momento estranho no show da banda. Esses caras já haviam feito críticas na semana anterior, pedindo “um viva a todos os poucos atos nesse festival que tocam instrumentos de verdade”. Engraçado. De todos os ícones de nosso mundo, eles tinham mesmo que levar Daft Punk, os caras que inovaram no Random Access Memories trazendo músicos lendários e orquestras para tocarem junto com sintetizadores e batidas computadorizadas? Em resumo: Ignorância. Você que está lendo isso, é provavelmente um aficionado pela música eletrônica assim como eu. E como eu, deve ter percebido ao menos uma vez a cara de estranhamento ou sarcasmo ao saber de sua preferência musical. Não que importe para nós. Mas é triste saber que há tanta gente desinformada por aí, tantos jornalistas que publicam matérias em jornais conceituados sem ao menos ter o trabalho de fazer uma pesquisa na Wikipedia e checar os fatos. Tanta gente criticando e menosprezando o trabalho de um DJ sem ter a mínima ideia de como uma CDJ funciona. Nessas horas, me dá vontade de simplesmente educar essas pessoas. Mas simplesmente, elas não querem ser educadas.

Confira o momento do show do Arcade Fire onde eles usam uma versão fake do duo Daft Punk:

http://youtu.be/CJ1SWXvg5ds

Mas sabemos a verdade: Nossa cena é simplesmente fantástica. Enterrado no underground, escondido em contas desconhecidas no soundcloud, no main stage do Ultra: A nossa música está lá. Das mais diversas formas possíveis, para os mais diversos momentos, todos os estilos, com vocal, sem vocal, melódico, explosivo, relaxante, hipnotizante. Tudo isso feito no computador. Como Joel Zimmermann, nosso querido deadmau5 afirmou, o computador não é um instrumento musical. É uma ferramenta. E com essa ferramenta, e com a criatividade dos produtores que acreditam no poder que um software de produção tem, saem coisas magníficas, a uma velocidade impensável em qualquer outro estilo por aí. E essa riqueza cria um paradigma: mesmo com toda a intolerância e ignorância que pairam sobre nossa cena, artistas e mais artistas insistem em tentar se aventurar pelos campos da música eletrônica. Não me entendam mal – não sou ciumento, quanto mais adeptos melhor, há sempre espaço pra mais um – mas se for pra entrar, que entre de cabeça. Não vale chegar com tubos de dinheiro, pegar uma produção de um artista da produção musical, colocar um vocal que não combina com a música e chamar isso de “híbrido” ou “evolução”. Acima de tudo, não vale alienar e corromper um artista talentoso por dinheiro. Assim como não vale a pena se corromper e se vender por “relevância”. Nossa cena é tão bonita, não vale a pena manchar nossa reputação.

Aos que tem vontade de conhecer nossa cultura, sejam bem-vindos. Nossa cena tem muita música boa pra oferecer. Além disso, tem muita amizade, muito respeito (na maioria das vezes. É sabido que pode haver muita intolerância DENTRO da cena, mas isso é digno de outro editorial), e acima de tudo, muito sentimento. Afinal de contas, é isso que a música é no final de contas. Música não é violino. Música não é violão. Música não é guitarra ou bateria. Música é SENTIMENTO. São ondas sonoras arranjadas de forma a criar uma obra de arte que nos faça sentir. Que nos deixe bem, que nos dê motivo para pular, para gritar, para fechar os olhos e sentir a pele arrepiar com uma melodia ou simplesmente ter um ataque do coração com um drop mais forte. E ao contrário do que muitos dizem por aí, música não precisa de um vocal (principalmente se ele for ruim, como o de MUITAS músicas pop por aí). Não há nenhuma regra quanto a isso. Melodias bem orquestradas valem mais que mil palavras, e seria um desperdício colocar voz nelas. Tudo depende da vontade do artista. Contanto que nos faça SENTIR.

E aos que detestam nossa música produzida pelo computador: Faça uma pesquisa antes de julgar.
Nossa cena é a melhor. Vocês, eu, nós fazemos parte de um movimento incrível. Uma hora o mundo vai acabar se rendendo à nós. Se é que já não se rendeu.


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